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Topónimo


Breves considerações sobre a freguesia da Pelariga e os seus topónimos

Aqui nota-se que os topónimos têm uma pendência religiosa mais frequente do que nas restantes freguesias, o que tem a ver com a presença dos celtas e hebreus antes do nascimento de Cristo.

Às vezes, o pessoal que me lê, olha para o que eu afirmo com incredulidade. De facto situações há em que os ponho perante situações completamente novas, assim como foram para mim antes de estudá-las a fundo. O que me dirão agora se eu lhes disser e afirmar que o topónimo pelariga tem o seu étimo no latim pelagus que em português deu pélago.

Um pélago pode ser um mar, um lago, um rio caudaloso. Ora a constituição do solo da Pelariga e os seus acidentes orologicos levam-nos a acreditar que há milhares de anos ali existiu uma toalha de água que foi diminuindo até secar deixando um terreno fértil, húmido em certas zonas, arenoso, noutras.

A partir de pelagus (lat) formou-se o diminutivo pelarica ou pelarititia que por fenómenos de transformação fonética desembocaram em pelariga, Pelariga.

Pelarica - a consoante gutural explosiva -c- transformou-se na consoante branda, sonora -g- e assim temos Pelariga.

Pelarititia - dá-se a queda do -t- intervocálico. Ficamos pois com - pelaritia; em seguida verifica-se a crase do -i- e chegamos a - pelaritia.

 

A Agua Travessa

Percorrida por águas soltas, de través no tempo das chuvas.

 

O Barrol

Recebe o seu nome dos veios de barro de muito boa qualidade que ali se encontram.

 

Os Meires

Para descobrir o topónimo Meires - um meeiro é o que tem metade.

Ou direito a metade. Diz-se um muro meeiro, uma parede de meação, quando aquele muro marca a divisória entre duas terras, quintais, casas.

Nenhum dos vizinhos pode ultrapassar a metade do muro, seja com uma estaca, com uma rede. É uma divisória, um limite que serve ambas as partes.

Ora Meires um lugar que está no limite da freguesia da Pelariga com a Redinha.

 

A Fontinha

De início um termo começou a ser nomeado pela nascente de bela água que ali corria.

 

A Machada

Já o topónimo deste lugar é mais dificilmente esmiuçado por falta de documentação, de que as tropas napoleónicas são responsáveis (pilharam, queimaram, rebentaram com tombos de igrejas e edifícios públicos onde se poderiam ter encontrado pistas preciosas para se chegar a porto seguro nestas materias), mas provavelmente refere-se a terra de cultivo. O nome é muito enganador. Encaminha o curioso da língua de imediato para um utensílio de ferro e cabo de madeira próprio para cortar lenha, por exemplo, chamado machado/a, conforme as regiões. Mas no meu modesto saber aquele topónimo deriva de "achada" terra plana de cultivo fácil. Como se chegou a "machada"?

Direi por assonância de "uma" com "achada" e ignorância do escriba!

 

A Moncalva

Aglutinação de Monte mais adjectivo "calva" havendo aqui uma confusão de género porque em vez de se referir a monte, refere-se a terra, isto é monte, terra cujo solo desmatado está pronto a ser arroteado e semeado.

 

O Verigo

É por este lugar que à época em que os templários deram foral a Rodina (Redinha) em 1147 se fazia a movimentação de gentes e animais até Pombal e outras terra templárias. Embora as pedras e rochas dificultassem o avanço dos viandantes, estes não tinham que enfrentar as zonas pantanosas insalubres que enchiam as terras baixas ainda nos séculos doze, treze e catorze na actual zona centro de Portugal. O Verigo vai buscar o seu étimo a vérea /verea que significa vereda, caminho. De início terá sido Verico, uma vereda, um caminho acanhado, transformando-se mais tarde em Verigo.

 

O lugar dos Montes do Verigo

A parte de quota mais elevada do Verigo.

 

A Quinta Nova do Bolão

Ligado ao topónimo Bolão está a tradição do bolo de não sei quantos alqueires de farinha que iria ser cozido no forno do Bodo no Cardal.

Tanto se fala nas festas do bodo do forno, do bolo e do homem que com um cravo dentro do forno dava uma volta ao bolo sem de lá sair tostado que fosse. Uns diziam que era do cravo que ele levava na boca, outros do saco de serapilheira molhada que lhe cobria as costas à guisa de capa, outros e na sua grande maioria proclamavam ano após ano que era milagre de Nossa senhora do cardal como prémio de tanta coragem.

E do bolo, bolão o que se dizia? Omessa, para os que não "conviveram" com o fausto, dir-lhes-ei que o bolo amassado por um rancho de mulheres que se ia revezando na amassaria, obedecia a uns determinados rituais para as participantes: vinho abafado. passas de uva e de fígado, tremoços. Pevides, uma fartura. As mulheres divertiam-se à grande.

Terminada a tarefa e à medida que a massa ia ficando lêveda, os homens aprontavam um belo carro de bois com a melhor "junta" de bois da quinta. O cortejo chegava ao forno no Cardal ao som de adufes, gaitas de beiços e cantares improvisados.

 

O lugar dos Sacutos

Este topónimo recebeu o nome de uma família hebraica que para ali foi residir. Abraão Zacuto (ou Sacutoi) empreendedor e culto tem o seu nome ligado à primeira oficina impressora portuguesa situada em Leiria. A ele, se deve a primeira edição do Almanach (1496) ou o Reportório dos Tempos (1518).

 

O Salgueiro

Lugar identificado por frondoso salgueiro. Um fito toponómico.

 

O Tinto

Da cor ferrosa do solo (hematite) e das águas do rio em época de chuvas.

É evidente que o nome próprio TINTO dá no goto aos desprevenidos, que de imediato o ligam ao vinho...tinto! Imaginem agora o barulho que deu a nível nacional, quando da visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima ao Concelho do Pombal, já lá vão umas boas dezenas de anos, a faixa de pano que a população do Tinto estendeu sobre a Estrada Nacional Um - O TINTO saúda Nossa Senhora de Fátima!

Os ditos jocosos que se ouviram de Norte a Sul! Não consta que a Divina Visitante se tenha incomodado!

 

A Venda da Cruz

Começou por ser apenas uma loja e taberna de apoio aos viandantes situada numa encruzilhada, antes de se ter alargado e constituir mais um lugar da freguesia da Pelariga.

Alcunhas - Pressinto que as há às molhadas, mas uns não lhes ligam importância, não sabem o valor que têm, outros não as querem revelar?!

Têm medo! Deviam ter orgulho nelas. Medo de quê? Se as alcunhas apenas são utilizadas como ponto de partida para um estudo sociológico e humano durante o século vinte! E só vos digo amigos, os que aqui ficarem registados e respectivas famílias ficarão na História, os outros serão varridos da memória pela vassoura do tempo!

 

Cidadãos como nós:

A numerosa família Moreira não é conhecida por alcunha familiar colectiva, mas individualmente dá para uma bela molhada. Apurei que Abílio Moreira é conhecido pelo Camisolas, o irmão empreiteiro o António Cardoso Moreira, pelo Preto, o Lucílio que apenas é Moreira pelo casamento com uma das irmãs dos já mencionados é Chico Fininho, alto, magro e moreno, uma vez por outra no "café" que o casal explora.

Fisicamente serve como uma luva ao retrato imaginário criado por Rui Veloso com a sua não menos popular canção "Chico Fininho".

O Pirulas, Francisco Mendes, bem disposto, brincalhão, sempre pronto a inventar e levar à prática belas tramóias.

O Gordo, José França, no físico honra a alcunha com que os conterrâneos o distinguem.

 

In NA TERRA DO MEIO-BOI
Morio Luis Brites

Publicado por: Freguesia de Pelariga

Última atualização: 28-12-2025

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